Agrupamento de Escolas Agualva Mira Sintra

História

 

De ESMS a ESMA...

A Escola Secundária de Matias Aires, inicialmente designada por Escola Secundária de Mira Sintra, foi oficialmente criada pela portaria n.º 136/88 de 29 de Fevereiro. No local designado por Casal da Charneca, a construção deste estabelecimento de ensino teve início a 29 de Maio desse mesmo ano, inviabilizando o seu pleno funcionamento previsto para Setembro. Assim, a Escola funcionou inicialmente com um total de 960 alunos matriculados, recorrendo a instalações na Escola Primária da Quinta Nova do Tojal e na Escola Preparatória de Mira Sintra. Durante o ano de 1989 decorreu a construção de quatro pavilhões e da portaria. Iniciou-se o arranjo dos espaços exteriores e o restauro da Casa Saloia do século XVIII, ex-libris da Escola, onde mais tarde se vem a instalar um pequeno centro etnográfico. Os restantes pavilhões e a cantina foram concluídos em 1993, altura em que os campos de voleibol de praia, inovadores na altura, valorizaram o espaço escolar e permitiram um significativo número de actividades desportivas que fazem já, entre tantas outras, parte da história da ESMA. Na sequência da proposta apresentada à Secretaria de Estado dos Ensinos Básico e Secundário, esta instituição passou a designar-se por Escola Secundária de Matias Aires, em Maio de 1993, tendo como patrono um eminente vulto da cultura local e nacional. Em 2002, mais concretamente a 10 de Abril, deu-se início à construção do pavilhão gimnodesportivo, uma obra desde há muito desejada e exigida pela comunidade escolar.

O nosso patrono: Matias Aires...Quem foi?

Matias Aires Ramos da Silva e Eça nasceu em S. Paulo a 27 de Março de 1705, filho de José Ramos da Silva, minhoto oriundo de família nobre, emigrado para o Brasil, e de D. Catarina d`Horta, filha de comerciantes aí estabelecidos. Estudou até aos onze anos num colégio de Jesuítas, em S. Paulo. Regressado a Portugal na companhia dos pais, fixou-se em Lisboa, onde frequentou o curso de Humanidades no colégio de Santo Antão. Posteriormente, frequentou a Universidade de Coimbra onde recebeu o grau de bacharel em Artes. Prováveis êxitos escolares levaram-no a escrever um livro em Latim e alguns sonetos. Entretanto, seu pai, desfrutando de influência junto da Coroa, comprou o ofício de provedor da Casa da Moeda, em Lisboa.Em Bayonne, no sul de França, Matias Aires concluiu os cursos de Direito Civil, Direito Canónico e aprendeu Hebraico, Grego, Matemáticas e Física, tendo feito o curso de Química na Academia Real das Ciências, em Paris. A sua estada em França, os estudos e os contactos que aí estabeleceu transformaram-no num dos principais iluministas portugueses. Regressou a Portugal aos vinte e oito anos. Após desventurados amores, Matias Aires sentiu-se impelido a escrever a obra que o celebrizou: Reflexões sobre a Vaidade dos Homens ou Discursos Morais sobre os Efeitos da Vaidade. Essa obra, fundamental para uma visão sobre o pensamento do século XVIII, foi um êxito de vendas, num período em que a leitura não era um dos principais hábitos dos portugueses, registando três edições sucessivas.

Em 1761, após a morte da mãe dos seus dois filhos ilegítimos, Matias Aires retirou-se para a quinta que seu pai comprara em Agualva, desligando-se de compromissos sociais e dedicando-se à escrita. Aí, incutiu aos filhos o gosto pelas letras, recomendando-lhes que não continuassem as suas investigações sobre Alquimia. Matias Aires faleceu em Lisboa a 10 de Dezembro de 1763, com apenas 58 anos, tendo sido sepultado na capela da sua quinta, hoje denominada Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Catorze anos depois da sua morte, seu filho publicar-lhe-ia uma curiosa obra em dois tomos, bem erudita e demonstrativa da extensão dos seus conhecimentos: Problemas de Arquitectura Civil, vinda a lume em 1777.